"Nunca duvide que um pequeno grupo de pessoas conscientes e engajadas possa mudar o mundo; de fato, sempre foi, somente, assim que o mundo mudou."

(Fritjof Capra)

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma revolução começou — e será digitalizada

Uma revolução começou — e será digitalizada
Por Heether Brooke*, do The Guardian
A diplomacia sempre incluiu jantares com as elites dominantes, acertos de bastidores e encontros clandestinos. Agora, na era digital, os relatos de todas estas festas e diálogos aristocráticos pode ser reunido numa enorme base de dados. Uma vez recolhidos em formato digital, é muito fácil compartilhá-los.
Na verdade, é para isso que a base de dados Siprnet, de onde os segredos diplomáticos norte- americanos são vazados, foi criada. A comissão governamental criada nos EUA para avaliar a segurança nacional após o 11 de Setembro fez uma descoberta notável: não era o compartilhamento de informações que ameaçava os EUA, mas o não-compartilhamento. A falta de cooperação entre agências governamentais e a retenção de informações por burocratas desperdiçaram muitas oportunidade para bloquear os ataques contra as Torres Gêmeas. Em resposta, a comissão ordenou uma restruturação dos serviços do governo e da inteligência, para que se adaptassem à própria web. A nova prática era de colaboração e compartilhamento de informações. Mas, ao contrário de milhões de membros do governo e empresas terceirizadas, o público não tinha acesso à Siprnet.Porém, os dados têm o hábito de se espalhar. Eles escorregam entre a segurança militar e também podem vazar pelo Wikileaks, o meio pelo qual eu obtive as informações. Eles violaram até os prazos de fechamento do Guardian e de outros jornais envolvidos na divulgação da história, quando um cópia clandestina do semanário alemão Der Spiegel acidentalmente chegou às bancas em Basle, na Suíça, domingo passado. Alguém a comprou, entendeu o que ela continha e começou a escanear as páginas, traduzindo-as do alemão para o inglês e postando no Twitter. Parece que os dados digitalizados não respeitam autoridade alguma, esteja ela no Pentágono, no Wikilieaks ou num editor de jornais.
Cada um de nós já viveu, pessoalmente, as enormes mudanças que vêm com a digitalização. Fatos ou informação que considerávamos efêmeros e privados agora são permanetes, públicos e agregáveis. Se o volume dos atuais vazamentos parece grande, pense nos 500 milhões de usuários do Facebook, ou nos milhões de registros mantidos pelo Google. Os governos mantêm nossos dados pessoais em enormes bases. Era caro obter e distribuir informação. Agora, é caro retê-la.
Mas quando os devassa de dados atinge o público, os governantes parecem não se importar muito. Nossa privacidade é disponível. Não surpreende que a reação aos novos vazamentos seja, agora, diferente. O que transformou, num sentido revolucionário, a dinâmica do poder não é a escala das revelações – mas o fato de que indivíduos podem tornar pública uma cópia de documentos do Estado. Em papel, estes vazamentos equivalem, segundo estimativas do Guardian, a 213.969 paginas A4, que teriam, empilhadas, a altura de 43 quilômetros. Algo impossível de vazar com segurança, na era do papel.
Para alguns, a novidade significa uma crise. Para outros, uma oportunidade. A tecnologia está rompendo as barreiras tradicionais de classe, poder, riqueza e geografia – e substituindo-as por um ethos de colaboração e transparência.
Um ex-embaixador dos Estados Unidos na Rússia, James Collins, disse à CNN que a revelação dos registros pelo Wikileaks “impedirá que as coisas seja feitas de forma normal e civilizada”. Muito frequentemente, “normal” e “civilizado” significa, na linguagem diplomática, fazer vistas grossas para injustiças sociais flagrantes, corrupção e abuso de poder. Depois de ler centenas de documentos, constato que muito dos “danos” que eles provocam é revelação embaraçosa e constrangedora de verdades inconvenientes. Em nome da segurança de uma base militar num dado país, nossos líderes aceitam um ditador brutal que oprime seu povo. Isso pode ser conveniente a curto prazo para os políticos, mas as consequências a longo prazo para os cidadãos do planeta podem ser catastróficas.
Os vazamentos não são o problema, apenas o sintoma. Revelam a desconexão entre aquilo que as pessoas desejam e precisam e o que realmente fazem. Quanto maior o segredo, mais prováveis os vazamentos. O caminho para superá-los é assegurar um mecanismos robustos para acesso público a informação relevante.
Graças à internet, esperamos um nível muito maior de conhecimento e participação, em muitos aspectos de nossas vidas. Mas os políticos resistem resolutamente aos novos tempos. Vêem-se como tutores de um público infantil – que não merece nem a verdade, nem o poder real que o conhecimento oferece.
Muito da revolta governamental sobre os vazamentos não tem a ver com o conteúdo do que é revelado, mas com a audácia de quem rompe o que eram fortalezas invioláveis da autoridade. No passado, confiávamos nas autoridades. Se um governante nos dissesse que algo poderia prejudicar a segurança nacional, tomávamos a afirmação como verdade. Agora,os dados crus por trás desta crença estão se tornando públicos. O que percebemos de vazamentos sobre as despesas de parlamentares, ou a cumplicidade de governos com a tortura, é que quando os políticos falam sobre uma ameaça à “segurança nacional”, referem-se frequentemente à defesa de sua própria posição ameaçada.
Estamos num momento crucial, em que alguns visionários, na vanguarda de uma era digital, enfrentam quem tenta, desesperadamente, controlar o que sabemos. O Wikileaks é o front de guerrilha, num movimento global por maior transparência e participação. Projetos como o Ushahidi usam redes sociais para criar mapas onde os cidadãos podem relatar violências e desafiar a versão oficial dos fatos. Há ativistas empenhados em liberar dados oficiais, para que as pessoas possam ver, por exemplo, os orçamentos públicos em detalhe.
Por ironia, o Departamento de Estado dos EUA foi um dos grandes incentivadores da inovação técnica, como meio para levar a democracia a países como o Irã e a China. O presidente Obama exortou regimes repressores a deixar de censurar a internet. No entanto, uma lei que tramita no Congresso permite ao Procurador-Geral em Washington criar uma “lista suja” de websites. É possível acreditar numa democracia forte apenas para assuntos externos?
Os governantes costumavam controlar os cidadãos por meio do fluxo restrito de informações. Agora, está se tornando impossível vigiar o que a sociedade lê, vê e ouve. A tecnologia permite desafiar coletivamente a autoridade. Os poderosos vigiaram por muito tempo as sociedades, para controlá-las. Agora, os cidadãos estão lançando um olhar coletivo sobre o poder.
É uma revolução, e todas as revoluções geram medos e incertezas. Caminhamos para um Novo Iluminismo da Informação? Ou a revanche daqueles quer querem manter controle a qualquer custo nos levará a um novo totalitarismo? O que ocorrer nos próximos cinco anos definirá o futuro da democracia no próximo século. Por isso, seria ótimo que os nossos líderes respondessem aos desafios de hoje com um olhar sobre o futuro.
–*Heether Brooke é jornalista, escritora e ativista pelo Direito à Informação. Nascida nos Estados Unidos, vive em Londres e colabora com o The Guardian

by: outraspalavras.net

domingo, 5 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Diga NÃO ao BBB 11

Vem aí mais uma edição do BBB (Bizarrices e Besteirol do Boninho) para alienar ainda mais o povo, em especial os adolescentes e jovens. DIGA NÃO AO BBB11 (Rosa Zamp)
Professor Edney Silva Mesquita: "Washington Araújo: mentira, deslealdade, cafajestagem no BBB 11
Mais algumas semanas e a TV Globo estará colocando no ar seu programa de maior audiência no verão brasileiro: Big Brother Brasil 11. Sucesso de público, sucesso de marketing, sucesso financeiro, sempre na casa dos milhões de reais. Fracasso ético, fracasso de cidadania, fracasso de respeito aos direitos humanos fundamentais.

Por Washington Araújo, no Observatório da Imprensa" (leia seu texto na íntegra, vale a pena)

Folha, de rabo preso com o terror

Excelente texto que esclarece uma parte do poder do PIG
Altamiro Borges: Folha, de rabo preso com o terror

O Preço da Floresta...quantos mais precisarão morrer?

Chico Mendes - O Preço da Floresta (2008): "(Brasil, 2008, 43min. - Direção: Rodrigo Astiz) Chico Mendes era visto pelos poderosos no Brasil como um estorvo, como um terrorista, como ..."

by docverdade.blogspot.com

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Juventude como ela é e a mudança de gerações.

Vídeo excelente!!!
 A Juventude como ela é e a mudança de gerações.: "Confesso que, sob influência de várias pessoas, estava pensando em escrever algo sobre a mudança das gerações e a especificidade de cada u..."

domingo, 28 de novembro de 2010

Carl Orff: Carmina Burana - a sincronia perfeita...

A sincronia perfeita, o trabalho de equipe acima de qualquer vaidade, uma única partitura e centenas de atitudes direcionadas a um único resultado. Quem dera os setores primordiais da sociedade funcionassem como uma orquestra...


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Espaço curvo e finito

Espaço Curvo e Finito

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.
José Saramago

18 de Novembro, tal dia como o de hoje

Com Texto Livre: 18 de Novembro, tal dia como o de hoje: "Tal dia como o de hoje nasceu José Saramago segundo o registo civil. Mas já sabemos que as actas oficiais também podem distorcer a realidade..."

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A Escola serve Pra que ?

Vídeo excelente de um povo bravo e heróico.
Uma pergunta e dezenas de respostas colhidas que englobam praticamente todos os problemas que vivenciamos hoje no dia a dia da escola. O mais interessante ainda é ouvir palavras tão sábias da boca de pessoas tão humildes, mas nem por isso palavras de senso comum. Povo de uma região que ao término da última eleição foi alvo de preconceitos por parte daqueles que se dizem "educados", "escolarizados".Estes têm é muito o que aprender com esse nobre e sábio povo. http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=3JZzSed3loM




segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Basta gostar do que se faz? Bah...pura hipocrisia

Profissão: professor – sempre necessária : Joseph Razouk Jr.
Bom o artigo, mas faltou complementar que para o professor alcançar tudo
que se espera dele, antes,paralelo e permanentemente é preciso dar-lhe tudo
o que ele necessita enquanto gente que também é!

Planos de carreira pela metade | Políticas Públicas | Nova Escola

Planos de carreira pela metade Políticas Públicas Nova Escola

Até quando o "pilar do amor" pelo ofício me sustentará?

Como melhorar a qualidade na educação com um docente desmotivado, desiludido, desencantado?
Que tipo de profissional se espera desse personagem cujo valor econômico nunca foi lá grande coisa, porém, agora perdeu também seu valor social?
Qualidade na educação apenas à base do "amor pelo que se faz"? Minha mãe sempre me disse: "amor não enche barriga"! No auge da juventude e de um mundo de utopias, eu a debochava.
É certo, que esse muitas vezes é o pilar que nos sustenta: o amor. Entretanto, sinto que as rachaduras já tão aparentes, profundas, anunciam o seu desmoronamento.
Ah...salvem os pilares protagonistas da educação, antes que seja tarde!

O mundo dá voltas

Quantas voltas ainda terás que dar ó mundo para que o Ser Humano aprenda o significado do "Ser"?

domingo, 7 de novembro de 2010

O poder da visão - transformações do mundo...

Vídeo: O Poder da Visão - as transformações do mundo, da vida...

Muito mais que palavras é preciso ação e que esta seja movida à emoção!
As imagens, o texto, as músicas formam um conjunto harmonioso e emocionante. Sim, desperta muito a emoção, às vezes, adormecida de tanto ouvir que se tem de pensar e agir com a "razão". Mas razão de quê? Pra quê? Para quem? Será que o universo surgiu a partir da "razão"? É só de razão que se fez/se faz todas as transformações da sociedade atual? É apenas ela que nos move diante de um intensa alegria ou de uma lágrima doída no olhar de uma criança? Se a "razão" for a senhora a ser obedecida, serei uma eterna desobediente! Rosa Zamp
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Na última passagem pelo Brasil, Antonio Nóvoa usou em sua palestra uma bonita reflexão que é esta, de George Steiner, em que se refere ao nazismo:

"Por que razão as humanidades, por que razão a ciência, a arte, a literatura não nos deram nenhuma proteção diante do desumano? Por que podemos tocar Schubert à noite e cump...rir o 'dever', no dia seguinte, matando no campo de concentração? Nem as grandes obras, nem a música, nem a arte, puderam impedir a barbárie total. Como era possível tocar Debussy, escutando os gritos daqueles que passavam pelas cercas de Munique a caminho dos campos de morte da Dachau?"

E Nóvoa arrisca a sua hipótese:
- Porque faltou um conhecimento contextualizado sobre si mesmo.
- Porque faltou uma reflexão de si mesmo com o outro e pelo outro.
E completa: Formar é criar as condições para que o outro se faça obra de si mesmo.

Acho que ele tem razão...(compartilhado no Facebook por Rosaura Soligo um dia depois do que escrevi e ela não conhecia meu blog...)